Silhueta de comprador diante de prédios com símbolos de alerta na paisagem urbana noturna

Riscos na compra de imóveis: pontos críticos e como evitar prejuízos

14.07.26

Comprar um imóvel costuma ser uma das maiores decisões da vida. Também pode ser uma das mais tensas. Quando olhamos de perto, os riscos na compra de imóveis vão muito além do preço, da localização e da aparência do bem. Há questões de documento, dívidas, disputa judicial, defeitos ocultos e até fraude.

Na nossa experiência, muitas pessoas só percebem o tamanho do problema quando já assinaram contrato, pagaram sinal ou assumiram parcelas longas. E, nesse momento, o prejuízo financeiro costuma vir acompanhado de desgaste emocional. É por isso que, na Maviene Advogados, tratamos esse tema com atenção prática e linguagem clara.

Um imóvel bonito pode esconder um problema caro.

O maior erro do comprador é confiar apenas na aparência do imóvel ou na promessa de venda.

Isso vale para imóvel usado, na planta, loteamento, terreno e unidade ligada a cooperativa habitacional. Cada formato tem riscos próprios. Em alguns casos, o ponto fraco está no contrato. Em outros, está na matrícula, na cadeia de transferência ou na situação financeira do vendedor.

Onde os problemas costumam aparecer

Quando falamos em compra imobiliária, os pontos de atenção se repetem com frequência. O problema é que eles nem sempre são visíveis no primeiro contato. Um apartamento reformado pode ter penhora. Um terreno com bom preço pode não estar regular. Um imóvel na planta pode trazer cláusulas pesadas para o comprador.

Entre os riscos mais comuns, podemos citar:

  • Documentação incompleta ou incoerente;
  • ônus reais, hipoteca, penhora ou alienação;
  • Dívidas de IPTU, condomínio ou taxas;
  • Vícios construtivos e defeitos ocultos;
  • Ações judiciais envolvendo o imóvel ou o vendedor;
  • Golpes com falsidade documental ou intermediação irregular;
  • Contratos com cláusulas desequilibradas;
  • Comprometimento financeiro acima da capacidade do comprador.

Há um dado que chama atenção. Segundo dados sobre irregularidades imobiliárias no Brasil, cerca de 50% dos imóveis do país têm algum tipo de irregularidade, e a falta de escritura aparece com grande frequência. Isso mostra como o cuidado prévio não é excesso. É proteção.

Documentos dizem mais do que a visita ao imóvel

Em muitos atendimentos, nós ouvimos algo parecido: “Visitamos, gostamos e já queriam fechar no mesmo dia”. Esse senso de urgência é perigoso. Antes de avançar, precisamos fazer uma leitura documental séria, aquela checagem que o mercado costuma chamar de due diligence.

A segurança da compra começa na conferência da matrícula atualizada do imóvel.

É nela que podemos verificar quem é o proprietário, se há registro de penhora, usufruto, hipoteca, indisponibilidade, promessa de venda registrada ou outras limitações. Mas a matrícula, sozinha, não resolve tudo. Também é preciso olhar a situação do vendedor e o histórico da operação.

Os documentos que costumamos conferir incluem:

  • Matrícula atualizada do imóvel;
  • Certidão negativa de ônus e ações reais;
  • Escritura ou contrato anterior, quando houver;
  • Certidões dos distribuidores judiciais em nome do vendedor;
  • Comprovantes de quitação de IPTU e condomínio;
  • Habite-se, planta aprovada e regularidade municipal, quando cabível;
  • Documentos pessoais e societários, se o vendedor for empresa;
  • Instrumento contratual completo, com anexos e memorial, nos casos de imóveis novos.

Em imóveis construídos por incorporadora, nós também orientamos a leitura atenta do contrato e de seus anexos. Para quem quer entender melhor esse ponto, já tratamos do tema em o que observar no contrato de um imóvel construído por incorporadora.

Pessoa analisando matrícula e contrato de imóvel em mesa de escritório

Sinais de alerta que não devem ser ignorados

Nem todo risco aparece em uma certidão negativa. Às vezes, ele surge no comportamento da negociação. Pressa excessiva, resistência em mostrar documentos e pagamento fora do padrão merecem cuidado.

Alguns sinais pedem freio imediato:

  • Preço muito abaixo do mercado sem motivo claro;
  • Vendedor que evita fornecer matrícula atualizada;
  • Pedido de pagamento para terceiros sem relação evidente com o negócio;
  • Promessa verbal diferente do texto contratual;
  • Imóvel ocupado por pessoa que não participa da venda;
  • Procuração antiga, genérica ou com dados confusos;
  • Divergência entre área anunciada e área registrada;
  • Proposta de recebimento em espécie em valores altos.

No último ponto, vale atenção redobrada. O COFECI aponta operações suspeitas na intermediação imobiliária, incluindo pagamentos em espécie iguais ou superiores a R$ 100.000,00 e negócios incompatíveis com a capacidade financeira das partes. Isso não quer dizer que toda operação nessa faixa seja irregular, mas o alerta existe por um motivo.

Quando a forma de pagamento foge do padrão e ninguém consegue explicar bem, o risco aumenta.

Vícios ocultos e problemas físicos do imóvel

Nem todo prejuízo vem do cartório. Muitos surgem depois da entrega das chaves. Infiltrações escondidas por pintura nova, trincas mascaradas, instalações elétricas improvisadas e falhas estruturais podem transformar o sonho em gasto contínuo.

Já vimos situações em que a família mudou para o apartamento e, após as primeiras chuvas, descobriu umidade em vários cômodos. Em outro caso, o comprador do terreno percebeu depois que a drenagem era ruim e o lote acumulava água. O custo de correção foi alto.

Vício oculto é o defeito que não aparece de forma clara no momento da compra, mas surge depois.

Por isso, nós sugerimos vistoria detalhada, fotos, vídeos, checagem de instalações e, quando o caso pedir, apoio técnico de engenheiro ou arquiteto. Em imóveis usados, esse olhar evita surpresa. Em imóveis na planta, ajuda a comparar o entregue com o prometido.

Imóvel na planta, loteamento e cooperativa exigem atenção própria

Cada modalidade tem seu conjunto de cuidados. No imóvel na planta, é comum a pessoa se encantar com a maquete e deixar o contrato em segundo plano. Só que ali podem existir regras sobre atraso, correção monetária, tolerância de entrega, multa e distrato.

Quando há loteamento, o comprador precisa verificar aprovação, infraestrutura, registro e condições do parcelamento. Nós falamos mais sobre isso em cuidados ao comprar um imóvel de loteamento.

Já nas cooperativas habitacionais, a atenção deve ser ainda maior quanto ao modelo jurídico, à documentação da adesão, às obrigações financeiras e à real situação do empreendimento. Para esse cenário, reunimos orientações em principais cuidados com cooperativa habitacional.

Se, durante o caminho, o comprador perceber que não consegue seguir com a aquisição ou que houve falha relevante da outra parte, existem hipóteses de rescisão e distrato que precisam ser avaliadas com cuidado. Sobre isso, também já explicamos em como proceder em distrato de imóvel em caso anterior à Lei do Distrato e em como buscar a rescisão do contrato de compra e venda de imóvel sem pagar multa.

Vistoria em apartamento usado com foco em parede e documentos

Golpes e cuidados com intermediários

Outro ponto sensível está na intermediação. Nem sempre o golpe é sofisticado. Às vezes, ele vem com conversa convincente, documentos enviados por mensagem e pedido de transferência rápida.

Pressa é aliada do golpe.

Entre as fraudes mais relatadas no universo imobiliário, vemos:

  • Anúncio de imóvel sem autorização do dono;
  • Falso proprietário ou uso de documento adulterado;
  • Procuração falsa;
  • Duplicidade de venda do mesmo bem;
  • Conta bancária alterada no momento do pagamento;
  • Promessa de regularização futura sem prova concreta.

Nós recomendamos confirmar identidade, verificar a origem dos documentos, desconfiar de mudanças repentinas de dados bancários e formalizar tudo por escrito. Se houver intermediários, a atuação deve ser transparente. Quem oculta informação ou dificulta conferência não ajuda o comprador. Complica.

Planejamento financeiro também evita prejuízo

Há quem pense que o risco termina quando a documentação está em ordem. Não termina. O planejamento financeiro tem peso direto na segurança do negócio. Entrada, financiamento, parcelas, ITBI, escritura, registro, taxas cartorárias, condomínio e possíveis reparos precisam entrar na conta.

Comprar no limite do orçamento pode transformar um bom negócio em fonte de inadimplência e perda patrimonial.

Em imóveis na planta, ainda há correção de parcelas e, em certos casos, encargos até a entrega das chaves. Em imóveis usados, podem surgir gastos imediatos com reforma. Em terrenos, a infraestrutura ao redor nem sempre está pronta, o que gera custo extra.

Nós costumamos orientar que o comprador:

  1. Defina teto real de investimento;
  2. Reserve valor para despesas paralelas da compra;
  3. Simule cenários de atraso de renda ou aumento de encargos;
  4. Evite assumir parcelas que dependam de renda incerta.

Como reduzir a chance de problema

Não existe compra sem cuidado. Mas existe compra mais segura. Em nossa vivência, as melhores decisões surgem quando o comprador desacelera e trata a operação como ela merece.

Podemos resumir as boas práticas desta forma:

  • Conferir matrícula, certidões e débitos antes de pagar sinal;
  • Ler o contrato inteiro, inclusive anexos e cláusulas de multa;
  • Verificar a situação do vendedor e do imóvel nos órgãos competentes;
  • Fazer vistoria física do bem;
  • Registrar por escrito promessas e condições da negociação;
  • Não transferir valores sem checagem da operação;
  • Contar com assessoria jurídica desde o início.

A assessoria jurídica preventiva costuma custar menos do que corrigir uma compra mal feita.

Na Maviene Advogados, nós vemos isso com frequência em casos de rescisão contratual, atraso de obra, multipropriedade, cooperativa e regularização extrajudicial. Quanto antes o problema é identificado, maior a chance de preservar dinheiro, tempo e tranquilidade.

Conclusão

Comprar um imóvel pede cautela, checagem e visão prática. Os riscos podem estar no papel, na estrutura, na conduta do vendedor ou no próprio orçamento do comprador. Quando a negociação é feita sem esse filtro, a chance de prejuízo cresce de forma real.

Se você está diante de uma compra, de um contrato que gera dúvida ou de um cenário em que a desistência parece ser o melhor caminho, conheça melhor o trabalho da Maviene Advogados. Nós atuamos justamente para dar clareza a essas situações e buscar uma saída jurídica segura.

Perguntas frequentes

Quais são os principais riscos na compra de imóvel?

Os principais problemas envolvem documentação irregular, existência de ônus ou dívidas, ações judiciais, vícios ocultos, fraude, divergência de área, cláusulas contratuais abusivas e falta de planejamento financeiro. O risco pode estar tanto no imóvel quanto na forma como o negócio é conduzido.

Como evitar golpes ao comprar um imóvel?

Nós orientamos conferir a matrícula atualizada, checar a identidade do vendedor, validar procurações, confirmar dados bancários antes de qualquer pagamento e desconfiar de pressa excessiva ou preço muito abaixo do mercado. Também ajuda formalizar toda promessa por escrito e ter acompanhamento jurídico na negociação.

É seguro comprar imóvel na planta?

Pode ser seguro, desde que o comprador examine o contrato, os prazos, as regras de correção, a situação do empreendimento e os direitos em caso de atraso ou desistência. Imóvel na planta pede atenção redobrada ao texto contratual e ao histórico documental do projeto.

Quais documentos analisar antes de comprar imóvel?

Em geral, devem ser verificados a matrícula atualizada, certidão de ônus, documentos do vendedor, certidões judiciais, comprovantes de IPTU e condomínio, escritura anterior, regularidade municipal e, quando houver, documentos do empreendimento ou da cooperativa. O conjunto varia conforme o tipo de imóvel e a forma de aquisição.

O que fazer se ocorrer prejuízo na compra?

O primeiro passo é reunir contrato, comprovantes, mensagens, anúncios, laudos e documentos do imóvel. Depois, vale buscar orientação jurídica para avaliar medidas como rescisão, distrato, pedido de devolução de valores, indenização ou regularização do problema. Em muitos casos, agir cedo ajuda a evitar perdas maiores.

O texto apresentado tem caráter meramente didático, informativo e ilustrativo, não representando consultoria ou parecer de qualquer espécie ou natureza. O tema comentado é público e os atos processuais praticados foram publicados na imprensa oficial. O artigo e as informações apresentadas estão em conformidade com a lei nº 13.709 – Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), e o Provimento 205/2021 da Ordem dos Advogados do Brasil.

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