Tabuleiro de xadrez com prédio em construção cercado por peças em formato de ponto de interrogação

7 riscos da compra de imóvel na planta ignorados por consumidores

12.08.26

Comprar um imóvel na planta costuma parecer uma boa oportunidade. O preço de entrada chama atenção, o material de divulgação encanta e a ideia de receber um bem novo anima qualquer família. Não por acaso, há reportagens mostrando que imóveis na planta podem custar de 20% a 40% menos do que unidades prontas, embora tragam riscos relevantes para o comprador, como atrasos e até problemas financeiros da construtora, como aponta a matéria sobre vantagens e riscos do negócio.

Nossa experiência na Maviene Advogados mostra algo que se repete. Muita gente assina com pressa, confia no discurso comercial e só olha com cuidado para o contrato quando o problema já apareceu. A frustração vem depois. E, em vários casos, o prejuízo também.

O risco não começa na entrega. Ele começa na assinatura.

Neste artigo, vamos mostrar sete riscos que muitos consumidores ignoram ao comprar imóvel na planta. A ideia é ajudar você a identificar sinais de alerta antes de assumir um compromisso de longo prazo.

A ilusão do preço baixo

O primeiro risco está na comparação apressada entre o valor do imóvel na planta e o de um imóvel pronto. Em um primeiro olhar, o desconto seduz. Mas o custo total pode ser bem maior do que parece.

Em muitos contratos, além das parcelas, existem correções monetárias, juros, taxas e cobranças acessórias. Segundo reportagem sobre vantagens e desvantagens de comprar imóvel na planta, o comprador costuma pagar cerca de 30% do valor durante a obra, que em média leva três anos. Nesse período, o orçamento pessoal pode mudar bastante.

O imóvel na planta pode parecer mais barato no início, mas o custo final precisa ser lido com atenção no contrato.

É nesse ponto que muitos consumidores se perdem. Eles calculam apenas a parcela de entrada e ignoram:

  • Correção pelo índice previsto no contrato.
  • Parcelas intermediárias ou anuais.
  • Juros após a entrega das chaves.
  • Taxas de evolução de obra, quando cabíveis.

Se você quiser entender melhor os pontos de atenção, já tratamos desse tema em riscos na compra de imóveis, pontos críticos e como evitar prejuízos.

Atraso na entrega do imóvel

Esse é um dos riscos mais conhecidos. Mesmo assim, segue subestimado. O problema é que o comprador costuma organizar a vida toda em torno da data prometida. Planeja casamento, saída do aluguel, mudança de cidade, escola dos filhos. Quando a obra atrasa, o impacto vai além do contrato.

Já vimos casos em que a pessoa pagava aluguel e parcelas ao mesmo tempo, enquanto recebia novas promessas de entrega. O desgaste é alto.

Atraso de obra pode gerar prejuízos materiais e emocionais ao comprador.

Nem todo atraso é tratado da mesma forma. Por isso, vale observar:

  • Prazo de tolerância previsto em contrato.
  • Motivo alegado para a demora.
  • Documentos que provam a evolução da obra.
  • Custos extras suportados pelo consumidor.

Quando o atraso ultrapassa limites aceitáveis, pode haver discussão sobre rescisão contratual, devolução de valores e outros direitos. Na Maviene Advogados, lidamos com frequência com situações em que o consumidor não quer mais esperar e busca uma saída segura.

Prédio em obra com cronograma atrasado e casal observando

Mudanças no projeto e no memorial descritivo

Outro risco ignorado é a diferença entre o que foi prometido na venda e o que será entregue no fim. O comprador se encanta com maquete, apartamento decorado e imagens publicitárias. Só que o documento que pesa mesmo é o contrato com o memorial descritivo.

Pequenas mudanças podem gerar grande decepção. Área comum simplificada, acabamento diverso, vaga de garagem com outra configuração, vista alterada. Tudo isso provoca conflito.

O material publicitário ajuda na decisão, mas o memorial descritivo é o que deve ser conferido com mais cuidado.

Nós pensamos que esse é um dos erros mais comuns de quem compra sem apoio prévio. Inclusive, reunimos orientações práticas em 7 erros comuns ao comprar imóvel na planta e como evitar.

Comprometimento financeiro por longo período

Comprar na planta é assumir um compromisso que atravessa anos. E a vida não fica parada. Pode haver perda de renda, separação, nascimento de filhos, mudança de trabalho ou aumento de outras despesas.

No começo, tudo parece sob controle. Depois, as parcelas pesam. A pessoa tenta renegociar, vende bens, usa reservas. Em alguns casos, conclui que não faz mais sentido seguir com a compra.

Quando isso acontece, é comum surgir medo da multa, da perda do que já foi pago e da burocracia para sair do contrato. Mas há caminhos legais para discutir o distrato e a devolução de valores, conforme o caso concreto.

Sobre esse ponto, já explicamos em rescisão contratual de apartamento na planta, como funciona e também em negociar multa na rescisão de imóvel na planta.

Cláusulas contratuais pouco compreendidas

Muita gente assina sem entender pontos básicos do contrato. Não por descuido apenas, mas porque os textos costumam ser longos e técnicos. Ainda assim, isso gera um risco real.

Entre as cláusulas que mais causam surpresa depois, podemos citar:

  • Prazo de tolerância para entrega.
  • Forma de correção das parcelas.
  • Multa por desistência.
  • Condições para devolução dos valores pagos.
  • Responsabilidades sobre despesas antes da entrega.

Às vezes, o consumidor pensa que poderá desistir a qualquer momento sem efeito financeiro. Em outras vezes, acredita que receberá tudo de volta logo após pedir o distrato. Na prática, nem sempre é assim. Cada contrato exige leitura cuidadosa.

Ler depois custa caro.

Na Maviene Advogados, temos um olhar muito direto para esse tipo de dúvida. E isso ajuda bastante, porque muitos clientes chegam cansados de linguagem difícil e só querem entender, com clareza, qual é o próximo passo.

Problemas com financiamento na fase final

Há outro risco pouco falado. O comprador consegue pagar a entrada e as parcelas da obra, mas enfrenta dificuldade na hora do financiamento do saldo restante. Isso pode ocorrer por mudança na renda, restrição de crédito ou novas condições bancárias.

É uma situação dura. A pessoa já investiu tempo e dinheiro, vê o imóvel perto da entrega, mas não consegue concluir a operação.

Ter sido aprovado no início não garante que o financiamento final será liberado nas mesmas condições.

Por isso, antes de assinar, vale revisar a capacidade financeira com margem de segurança. Não basta caber no orçamento de hoje. É preciso pensar no orçamento de amanhã.

Contrato imobiliário sendo revisado com calculadora e chaves

Dificuldade para rescindir quando o negócio deixou de fazer sentido

Nem sempre o problema é atraso. Às vezes, o comprador simplesmente não consegue mais ou não quer continuar. O erro está em achar que a desistência será simples e automática.

Algumas empresas resistem ao distrato, oferecem devoluções baixas ou criam barreiras no atendimento. Isso prolonga o desgaste.

Quando a construtora não aceita o pedido de forma razoável, o consumidor precisa entender seus direitos e reunir documentos. Já abordamos esse cenário em a construtora não quer aceitar o distrato de apartamento na planta, e agora?.

Nossa visão é simples. Se o contrato se tornou pesado, confuso ou inviável, buscar orientação cedo reduz perdas e evita decisões tomadas no impulso.

Falta de prova organizada desde o começo

O sétimo risco é silencioso. E costuma aparecer apenas quando o conflito já está instalado. Muitos consumidores não guardam proposta, material publicitário, conversas, comprovantes, cronogramas e e-mails. Depois, quando precisam demonstrar o que foi prometido ou pago, encontram dificuldade.

Nós sempre orientamos a manter uma pasta com:

  • Contrato e aditivos.
  • Boletos e comprovantes de pagamento.
  • Anúncios e imagens da oferta.
  • Mensagens trocadas com vendedores e atendimento.
  • Comunicados sobre prazo de obra e entrega.

Essa organização ajuda muito. Em um problema de atraso, distrato ou divergência do projeto, documento bem guardado faz diferença.

Conclusão

Comprar imóvel na planta não é, por si só, um erro. Em muitos casos, pode ser uma decisão boa. Mas só quando o consumidor conhece os riscos reais, lê o contrato com calma e age com prudência. Preço atrativo, promessa de valorização e apartamento decorado não substituem análise cuidadosa.

Se houver atraso, dificuldade para rescindir, multa excessiva ou dúvidas sobre o que foi contratado, nós da Maviene Advogados podemos ajudar com atendimento próximo e claro, inclusive pelo WhatsApp, para avaliar o caso e indicar uma saída jurídica adequada.

Perguntas frequentes

Quais são os riscos de comprar na planta?

Os riscos mais comuns são atraso na entrega, aumento do custo total, mudanças no projeto, dificuldade de financiamento na fase final, cláusulas contratuais mal compreendidas, problemas para rescindir e falta de documentos para provar o que foi prometido. O maior erro é tratar a compra na planta como se fosse uma aquisição simples.

Como evitar atrasos na entrega do imóvel?

Não há como eliminar totalmente esse risco, mas podemos reduzir problemas ao verificar o histórico da obra, ler a cláusula de prazo e tolerância, guardar todos os comunicados e acompanhar a evolução do empreendimento. Também ajuda registrar por escrito qualquer informação passada durante a negociação.

É seguro investir em imóvel na planta?

Pode ser seguro em algumas situações, desde que haja leitura atenta do contrato, planejamento financeiro e avaliação dos riscos. O imóvel na planta pode ter preço menor, mas exige paciência e preparo para lidar com possíveis mudanças até a entrega.

O que fazer se a construtora atrasar?

O primeiro passo é reunir contrato, comprovantes e comunicados sobre a obra. Depois, vale buscar orientação jurídica para verificar se o atraso ultrapassou o limite contratual e quais medidas cabem, como pedido de rescisão, devolução de valores ou discussão de perdas sofridas.

Vale a pena comprar imóvel na planta?

Vale a pena quando a compra cabe no orçamento, o contrato foi compreendido e o comprador aceita os riscos do período de obra. Se houver dúvida real sobre capacidade de pagamento ou confiança no negócio, é melhor revisar tudo antes de assinar.

O texto apresentado tem caráter meramente didático, informativo e ilustrativo, não representando consultoria ou parecer de qualquer espécie ou natureza. O tema comentado é público e os atos processuais praticados foram publicados na imprensa oficial. O artigo e as informações apresentadas estão em conformidade com a lei nº 13.709 – Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), e o Provimento 205/2021 da Ordem dos Advogados do Brasil.

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